Entrevista ONIP – Wandenberg Pitaluga Filho, presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá
“O Amapá está se preparando para a Margem Equatorial”
A perspectiva de produção de petróleo na Margem Equatorial representa uma das maiores oportunidades econômicas da história recente da Região Norte e, particularmente, do Estado do Amapá. A afirmação é de Wandenberg Pitaluga Filho, presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá: “o estado está se preparando para participar desse processo de forma planejada, responsável e sustentável”, destaca.
Em entrevista exclusiva para o site da ONIP, Wandenberg fala sobre o potencial de atração de investimentos do estado e quais setores são prioritários neste momento, e comenta a participação da Agência na Offshore Technology Conference (OTC) em Houston, integrando o pavilhão brasileiro organizado pela ONIP.
“Retornamos com novos contatos, potenciais parcerias e, principalmente, com a convicção de que o Amapá precisa continuar presente nos principais fóruns nacionais e internacionais do setor”, afirma.
Quando e com qual objetivo foi criada a Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá?
A Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá foi reestruturada pelo Governo do Estado com a missão de liderar a agenda de desenvolvimento econômico, atração de investimentos e promoção de novos negócios, atuando como ponte entre o setor público, a iniciativa privada, investidores nacionais e internacionais e organismos de fomento. Sua criação reflete a compreensão de que o desenvolvimento econômico exige uma instituição especializada, capaz de transformar oportunidades em projetos estruturantes, fortalecer a competitividade do estado e acelerar a geração de emprego, renda e arrecadação.
Mais do que uma agência de promoção, a Agência Amapá atua como uma plataforma de desenvolvimento, identificando oportunidades, estruturando projetos, apoiando investidores e articulando ações voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas estratégicas.
Atualmente, trabalhamos em agendas relacionadas à bioeconomia, infraestrutura, logística, mineração, energia, petróleo e gás, indústria, inovação, mercado de carbono e desenvolvimento sustentável, sempre com foco na construção de uma economia diversificada e preparada para os desafios do futuro.
Quais são as perspectivas com o horizonte de produção de petróleo na Margem Equatorial?
A Margem Equatorial representa uma das maiores oportunidades econômicas da história recente da Região Norte e, particularmente, do Estado do Amapá. Entretanto, nossa visão vai muito além da produção de petróleo. O que enxergamos é a possibilidade de construção de uma nova economia associada ao setor energético, capaz de impulsionar investimentos em infraestrutura, logística, qualificação profissional, serviços especializados, inovação tecnológica e fortalecimento do setor empresarial local.
O Amapá está se preparando para participar desse processo de forma planejada, responsável e sustentável. Temos buscado aprender com experiências nacionais e internacionais para garantir que os benefícios econômicos possam se traduzir em desenvolvimento social, fortalecimento institucional e melhoria da qualidade de vida da população.
Acreditamos que o maior legado da Margem Equatorial não será apenas a produção de petróleo, mas a capacidade de transformar essa oportunidade em um ciclo duradouro de desenvolvimento econômico sustentável, diversificação produtiva e geração de oportunidades para os amapaenses.
Qual é o potencial de atração de investimentos do estado e quais setores são prioritários neste momento?
O Amapá reúne um conjunto de vantagens competitivas raras no cenário brasileiro.
Somos um dos estados mais preservados do país, possuímos localização estratégica na entrada da Amazônia e na conexão com mercados do Caribe, América do Norte, Europa e Ásia, além de contar com importantes ativos naturais, minerais e energéticos.
Nesse contexto, os setores prioritários para atração de investimentos incluem: Petróleo, gás natural e energia (hidroelétricas, solar e biomassa); Infraestrutura logística e portuária; Bioeconomia, economia da floresta e sociobiodiversidade; Mineração sustentável e agregação de valor mineral; Indústria de transformação; Agronegócio sustentável; Economia azul e atividades marítimas; Mercado de carbono e serviços ambientais; Tecnologia, inovação e economia digital.
Nosso objetivo é posicionar o Amapá como uma nova fronteira de investimentos sustentáveis, combinando preservação ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social.
Pela primeira vez, o Governo do Amapá, via Agência, participou da Offshore Technology Conference (OTC) em Houston, integrando o pavilhão brasileiro organizado pela ONIP. O que motivou essa participação?
Na realidade, esta foi a segunda participação do Estado do Amapá na OTC. Em 2025, o Governador Clécio Luís esteve pessoalmente em Houston para demonstrar o compromisso do Estado com a agenda da Margem Equatorial e apresentar ao mercado internacional a visão estratégica do Amapá para o desenvolvimento associado ao setor de petróleo e gás. Já em 2026, retornamos com uma missão ainda mais estruturada e focada em geração de oportunidades.
A OTC é reconhecida mundialmente como o principal ambiente de negócios, tecnologia e relacionamento da indústria offshore. Estar presente nesse espaço significa conectar o Amapá aos principais operadores, fornecedores, investidores, centros de pesquisa e formuladores de políticas públicas do setor energético global. A participação no Pavilhão Brasil, coordenado pela ONIP, permitiu apresentar as potencialidades do estado, fortalecer relações institucionais, conhecer soluções adotadas em outros países e posicionar o Amapá como um território preparado para integrar a nova fronteira energética brasileira.
Mais do que participar de um evento, fomos construir relacionamentos estratégicos e inserir o Amapá em uma agenda internacional de investimentos e desenvolvimento.
Qual é o balanço da participação do Amapá nesse evento?
O balanço é extremamente positivo e reforça a importância de o Amapá ocupar espaços estratégicos de articulação global. Ao longo da OTC, realizamos reuniões com operadores, fornecedores, investidores, entidades setoriais e instituições de apoio empresarial, ampliando significativamente a visibilidade do estado e apresentando o trabalho que vem sendo desenvolvido para preparar o ambiente econômico local. Observamos um crescente interesse do mercado em compreender o posicionamento do Amapá diante das oportunidades da Margem Equatorial, especialmente em temas relacionados à infraestrutura, logística, qualificação de mão de obra, desenvolvimento de fornecedores locais e sustentabilidade.
Também foi uma oportunidade importante para absorver experiências internacionais sobre governança, desenvolvimento regional, conteúdo local e gestão dos impactos econômicos associados à indústria de petróleo e gás.
Retornamos com novos contatos, potenciais parcerias e, principalmente, com a convicção de que o Amapá precisa continuar presente nos principais fóruns nacionais e internacionais do setor, fortalecendo sua capacidade de atrair investimentos, gerar oportunidades e construir um modelo de desenvolvimento alinhado às suas vocações econômicas e ambientais.O Amapá deixou de ser apenas um território observado e passou a ser um território que participa ativamente das discussões sobre o futuro da energia, do desenvolvimento sustentável e da nova economia da Amazônia.