Entrevista ONIP – Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP)

“O Brasil está se consolidando como um dos hotspots do mercado mundial de energia “

Para Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a ROG.e 2026 foi uma edição histórica em vários sentidos. Para além dos números superlativos – com recordes de público, empresas expositoras e trabalhos técnicos apresentados –, o evento comprovou o bom momento vivido novamente pela indústria brasileira de petróleo, gás e energia.

“O Brasil está se consolidando como um dos hotspots do mercado mundial no setor e uma alternativa muito relevante no atual contexto geopolítico”, afirma Ardenghy, em entrevista exclusiva para o site da ONIP, acrescentando que os investidores enxergam o mercado brasileiro como um porto seguro e uma boa opção para o suprimento global de energia.

“A ROG.e 2026 reforçou a capacidade do país de aliar a segurança de oferta a uma transição energética justa e sustentável”, avalia o presidente do IBP.

Qual o balanço que o IBP faz da ROG.e 2026? 

A ROG.e 2026 foi uma edição histórica em vários sentidos. Retornamos ao Riocentro, transformando-o em um festival global de energia, com número recorde de público reunindo 83 mil pessoas, um crescimento de 10% em relação à edição anterior, sendo 44% de fora do Estado do Rio de Janeiro. A ROG.e recebeu mais de 670 empresas expositoras, 57 startups, 924 trabalhos técnicos apresentados e contou com a presença recorde de delegações internacionais.

Além disso, a ROG.e movimentou R$ 593 milhões na economia fluminense, elevando a ocupação hoteleira da cidade a 84% e gerando 13.881 empregos diretos na operação do evento. Tivemos ainda a primeira corrida corporativa do setor de energia na cidade, a Energy Run, que ocorreu na véspera do evento, levando executivos, corredores e sociedade a uma volta na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Os números nos confirmaram que durante esses quatro dias de evento, a ROG.e se transformou em uma plataforma de conexões, troca de conhecimento, debates técnicos e negócios estratégicos para o mercado global. Isso mostra que o Brasil está se consolidando como um dos “hotspots” do mercado mundial no setor e uma alternativa muito relevante no atual contexto geopolítico.

Como o IBP avalia a grande representatividade internacional no evento e o que esse resultado sinaliza sobre o apetite de investidores globais pelo mercado de energia brasileiro? 

A ROG.e contou com a presença recorde de representantes de 77 países, 29% a mais em comparação à edição de 2024, e de delegações internacionais. O aumento no número de participantes estrangeiros traz oportunidades importantes para o Brasil. Acredito que a forte presença internacional foi impulsionada por um contexto de insegurança na indústria mundial, gerado pelos conflitos no Oriente Médio, que afetou fluxos comerciais e logísticos relevantes, impactando a produção e escoamento em regiões estratégicas.

Somada a isso, a combinação de reservas ainda pouco exploradas no país, a estabilidade geopolítica local e o aumento da demanda global por energia são fatores que ampliam o interesse internacional pela região. E vimos isso na ROG.e 2026. A descoberta recente de petróleo na Margem Equatorial brasileira também foi um marco importante que ajudou a atrair ainda mais o interesse estrangeiro. Esse resultado sinaliza que os investidores enxergam o mercado brasileiro como uma boa alternativa e um porto seguro para o suprimento global de energia, buscando diversificar as fontes supridoras para reduzir a dependência de regiões afetadas por conflitos.

Durante o evento, o setor reforçou a importância da previsibilidade de regras para manter a atratividade do país, citando temas como tributação e ambiente regulatório. Qual a opinião do IBP sobre esse assunto? 

Entendemos que um ambiente de negócios estável, saudável e seguro juridicamente é essencial para o desenvolvimento de qualquer setor, especialmente de uma indústria que trabalha com longos ciclos de investimentos e produção, além de serintensiva em capital. Para manter sua atratividade, o Brasil precisa continuar investindo, oferecendo novas áreas e aprimorar processos como o licenciamento ambiental.

Essa é uma indústria global e o Brasil disputa investimentos com outros países da América do Sul e nações da África que hoje surgem como mercados potenciais em novas fronteiras exploratórias. Nesse cenário, a previsibilidade e respeito aos contratos deve ser encarada como um pilar. Propostas como a criação de imposto de exportação sobre o petróleo, por exemplo, não são bem vistas pelos investidores na hora que decidem onde aportar seu capital.

Outro ponto importante foi a necessidade de repor reservas e abrir novas fronteiras exploratórias (como a Margem Equatorial e Sergipe). Essa é uma bandeira defendida pelo IBP? Por que? 

O Brasil possui uma janela curta de oportunidade e precisa ter pressa para explorar seus recursos de petróleo. Essa urgência ocorre porque o consumo global de combustíveis deverá estabilizar e, posteriormente, começar a cair na próxima década. A exploração de novas fronteiras, como a bacia da Foz do Amazonas na Margem Equatorial, a Bacia de Pelotas, no Sul do país, além do projeto Sergipe Águas Profundas, é fundamental para garantir a segurança energética do país. Além de garantir a energia que o Brasil precisa, o petróleo das novas fronteiras reforçará o papel estratégico do país, gerará mais receita para a economia como relevante item na balança comercial e gerador de impostos.

A transição energética justa e a segurança energética foram centrais durante os debates do evento. Na sua opinião, a ROG.e consolidou o papel do Brasil como um fornecedor global confiável de energia? 

Sem dúvida. Vimos em inúmeros debates como a transição energética é um tema que permeia toda indústria. Na ROG.e as discussões apontaram para o Brasil como um pilar de segurança energética. Muito em razão da forma como o país construiu sua matriz energética, aliando fontes de energia complementares, o que reforça a imagem do Brasil como um porto seguro e estratégico para o suprimento global de energia. Na avaliação das lideranças que passaram pela ROG.e, o Brasil oferece uma combinação de geologia de vanguarda, segurança jurídica e alta eficiência operacional. Além disso, a ROG.e 2026 reforçou a capacidade do país de aliar a segurança de oferta com a transição energética justa e sustentável.