Entrevista ONIP – Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, Presidente do Conselho da ONIP

ONIP vai ampliar presença e reforçar papel como interlocutora da indústria

A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) vai ampliar sua presença no Brasil e no exterior, reforçando seu papel como interlocutora da indústria fornecedora brasileira. Afirma Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, Presidente do Conselho da Organização.

Em entrevista exclusiva para o site da ONIP, o Presidente do Conselho afirma que as prioridades da Organização estão focadas na defesa da indústria nacional de bens e serviços associada ao petróleo e gás: “Isso inclui o acompanhamento da participação da indústria brasileira nas compras do setor, a atuação em favor de um ambiente regulatório mais previsível e o fortalecimento da competitividade dos fornecedores locais, observa. “Outro eixo central é a aproximação com as empresas e com o mercado e o mapeamento de novas oportunidades”, acrescenta.

Com a experiência e o olhar de quem sempre esteve presente e atuante na indústria,  Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira faz um balanço da atuação da Organização:

“Os últimos anos foram marcados por transformações profundas no setor de petróleo e gás. Ainda assim, em nenhum momento esteve em questão a importância de uma organização como a ONIP”, afirma.

No contexto atual, qual é a importância da indústria de petróleo e gás para a segurança energética e o desenvolvimento da economia brasileira?

A indústria de petróleo e gás ocupa posição estratégica na economia brasileira e na garantia da segurança energética do país. Além de assegurar o abastecimento interno, o setor responde por parcela relevante dos investimentos produtivos, da geração de empregos qualificados e da arrecadação fiscal, com forte efeito multiplicador sobre cadeias industriais complexas e intensivas em tecnologia.

Essa importância também se reflete no comércio exterior. Em 2025, o petróleo liderou, pelo segundo ano consecutivo, o ranking de exportações brasileiras, somando US$ 44,67 bilhões e superando a soja, o que evidencia a competitividade do setor e seu papel central na geração de divisas e no equilíbrio das contas externas.

No Brasil, essa relevância é reforçada pelas reservas do pré-sal e pela elevada capacidade técnica da produção offshore. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta os desafios da transição energética. Nesse contexto, o petróleo e o gás seguem sendo fundamentais para viabilizar investimentos em inovação, eficiência energética e redução de emissões, integrando uma estratégia realista de crescimento econômico, segurança energética e fortalecimento industrial.

Apesar da crescente pressão contra os combustíveis fósseis, o petróleo e o gás seguem sendo centrais na matriz energética global. Como o senhor avalia esse debate à luz da transição energética e das responsabilidades ambientais?

É fundamental reconhecer a legitimidade das preocupações ambientais, mas também adotar uma visão pragmática e responsável sobre a transição energética. O petróleo e o gás ainda são essenciais para sustentar a economia global e viabilizar, inclusive, os investimentos necessários em novas fontes de energia. O desafio está em promover uma transição gradual, baseada em eficiência, redução de emissões e inovação tecnológica, sem comprometer a segurança energética e o desenvolvimento industrial.

Qual a relevância da ONIP como uma entidade que atua de forma integrada sobre a cadeia produtiva do petróleo e gás e contribui para o fortalecimento da indústria nacional?

A Organização Nacional da Indústria do Petróleo atua com uma visão integrada da cadeia produtiva do petróleo e gás, reconhecendo que, embora a exploração e produção sejam centrais para o setor, seus efeitos econômicos e industriais se distribuem ao longo de uma ampla rede de fornecedores de bens e serviços. Esse olhar sistêmico é fundamental para fortalecer a base industrial associada à atividade de O&G.

Nesse contexto, a ONIP vem se reposicionando com iniciativas voltadas à organização e à qualificação do mercado. Um exemplo é a reedição do antigo Certificado ONIP, agora em formato totalmente digital e rebatizado como “Selo ONIP”, com implementação prevista para o primeiro semestre de 2026. Importante destacar que o Selo ONIP não é uma certificação técnica nos moldes da ISO ou do INMETRO, e sim um instrumento institucional de reconhecimento, baseado em critérios objetivos de capacidade técnica, conformidade e histórico de atuação no setor.

Para os fornecedores, o Selo ONIP amplia visibilidade e credibilidade junto às empresas contratantes. Para estas, funciona como uma ferramenta de apoio à qualificação e à tomada de decisão, reduzindo assimetrias de informação e riscos na contratação. Dessa forma, a ONIP contribui para alinhar a dinâmica da exploração e produção ao fortalecimento da indústria nacional de forma estruturada e transparente.

Considerando a trajetória da ONIP ao longo de mais de duas décadas, que balanço o senhor faz dos últimos anos?

Os últimos anos foram marcados por transformações profundas no setor de petróleo e gás, com impactos relevantes sobre o ambiente regulatório, o nível de investimentos e a dinâmica da cadeia produtiva. Como parte dessa estrutura, a Organização Nacional da Indústria do Petróleo também foi diretamente afetada por esse contexto, vivenciando os desafios impostos pelos ciclos do setor e pelas mudanças institucionais.

Ainda assim, em nenhum momento esteve em questão a importância de uma organização como a ONIP. Ao contrário, esse período reforçou a necessidade de uma entidade capaz de articular interesses, preservar a memória institucional do setor e manter um canal permanente de diálogo entre indústria, operadores e poder público. Os desafios enfrentados contribuíram para amadurecer a atuação da Organização, fortalecer sua governança e reafirmar seu papel como espaço legítimo de coordenação da cadeia produtiva.

Quais são hoje as principais prioridades da ONIP para os próximos anos?

As prioridades da ONIP estão focadas na defesa da indústria nacional de bens e serviços associada ao petróleo e gás. Isso inclui o acompanhamento da participação da indústria brasileira nas compras do setor, a atuação em favor de um ambiente regulatório mais previsível e o fortalecimento da competitividade dos fornecedores locais.

Outro eixo central é a aproximação com as empresas e com o mercado. A ONIP pretende intensificar encontros, reuniões e fóruns de diálogo, além de ampliar sua presença nos principais eventos do setor no Brasil e no exterior, reforçando seu papel como interlocutora da indústria fornecedora brasileira.

A Organização também acompanha o surgimento de novas oportunidades, como o descomissionamento de ativos e a exploração de campos maduros, apoiando a inserção qualificada da indústria nacional nesses segmentos com elevado potencial de geração de negócios, empregos e desenvolvimento tecnológico.