Entrevista ONIP – Artur Gibbon, coordenador do Pacto pela Inovação e presidente do APL Marítimo RS
“O Fórum é a semente para uma região mais forte e protagonista no cenário internacional da economia do mar”
Em entrevista exclusiva à ONIP, Artur Gibbon, coordenador do Pacto pela Inovação e presidente do APL Marítimo RS, detalha as expectativas para a 4ª edição do Fórum de Desenvolvimento da Economia Azul. Gibbon destaca como a articulação contínua entre academia, governo e setor produtivo tem transformado a região em um polo estratégico de inovação e sustentabilidade marítima, consolidando Rio Grande como uma referência internacional. Segundo o coordenador, o evento é o reflexo de um trabalho coletivo para posicionar a região no centro das discussões globais: “O fórum é essa semente que a gente planta a cada ano, regando essas parcerias, para que a gente possa colher, no futuro, uma região muito mais forte, resiliente e protagonista no cenário internacional da economia do mar”.
Na entrevista, Gibbon destaca os três eixos centrais da programação deste ano – Indústria Naval, Energia e Inovação – e apresenta resultados concretos de edições anteriores, como o impacto da Regata Rio da Prata no fortalecimento da cultura náutica local. O presidente do APL Marítimo RS analisa ainda os desafios fundamentais para o avanço do setor, focando na necessidade de aprimoramento da infraestrutura, na formação de mão de obra qualificada para novas tecnologias e na importância de educar a sociedade sobre o potencial da economia azul.
Estamos na quarta edição do Fórum de Desenvolvimento da Economia Azul. O que motivou a criação deste espaço de debate e qual a importância de mantê-lo vivo no calendário do setor?
A região de Rio Grande possui uma vocação litorânea histórica, com um ecossistema diversificado que abrange desde a operação portuária e indústria naval até o turismo, energias renováveis e biotecnologia. Como o porto é o nosso ativo mais visível, o APL Marítimo identificou a necessidade de consolidar e promover o conceito de “Economia Azul” – que une o desenvolvimento econômico à sustentabilidade – integrando Rio Grande, Pelotas e São José do Norte.
A motivação para o Fórum surgiu da urgência em comunicar a intensidade do que acontece no setor, tanto localmente quanto no cenário global. Criamos este espaço para debater oportunidades, apresentar inovações das academias (como a FURG) e conectar a região aos clusters internacionais. O sucesso desde a primeira edição confirmou a importância de manter o evento vivo para fortalecer esse mercado e posicionar nossa região como protagonista no país e no mundo.
Olhando para as edições anteriores, qual balanço o senhor faz do que foi discutido até agora e quais temas centrais pavimentaram o caminho para o fórum deste ano?
O balanço é extremamente positivo, com o Fórum crescendo em relevância e atraindo um público qualificado de diversos estados, como Santa Catarina, Bahia e Rio de Janeiro. Mais do que debates, o evento tem gerado entregas concretas: um exemplo marcante é a Regata Rio da Prata, que retornou após 50 anos com mais de 20 embarcações de diversos países e a montagem de uma vila náutica no Porto Histórico. Essa iniciativa nasceu de uma provocação no Fórum anterior para fortalecer a cultura náutica na região.
Além disso, o evento tem sido fundamental para a união de lideranças e instituições na discussão de oportunidades para o setor, promovendo um networking que oxigena as perspectivas locais. Para esta edição, o caminho pavimentado nos anos anteriores nos levou a três eixos centrais que dividem a programação: Indústria Naval (dia 1), Energia (dia 2) e Inovação (dia 3).
Quais são os principais desafios enfrentados na promoção da economia do mar na região e o que é fundamental para o setor avançar?
O principal desafio é conceitual: fazer com que as pessoas e empresas entendam que fazem parte da economia do mar. Muitos proprietários de pousadas, restaurantes ou empresas de manutenção industrial ainda não percebem como suas atividades se relacionam com o oceano. Por isso, a comunicação e a educação sobre o potencial da economia azul são fundamentais.
Além da conscientização, enfrentamos desafios práticos em infraestrutura e qualificação profissional. Embora tenhamos um porto fantástico, precisamos aprimorar constantemente os acessos e serviços para manter a competitividade. Paralelamente, é preciso formar mão de obra preparada para novas tecnologias, como biotecnologia marinha e energias renováveis no mar. Esses três pilares – educação, infraestrutura e qualificação – são os desafios centrais para o protagonismo da nossa região.
Como a organização do evento e o APL Marítimo enxergam o horizonte para o desenvolvimento da nossa região? Há um otimismo real quanto ao potencial de novos investimentos e operações sustentáveis?
Acreditamos muito no poder da articulação, pois o Fórum não é um evento isolado, mas um processo contínuo de aproximação entre academia, setor produtivo, governo e sociedade civil. Nosso objetivo a longo prazo é consolidar Rio Grande como um grande hub de economia azul no Atlântico Sul, o que significa atrair investimentos, fomentar startups de tecnologia marinha e gerar empregos qualificados.
O otimismo reside na promoção de um desenvolvimento que seja, acima de tudo, sustentável. Discutir economia azul é planejar o uso inteligente dos recursos do mar, preservando o meio ambiente para as futuras gerações e melhorando a qualidade de vida da população através de setores de vanguarda. O Fórum é a semente que plantamos anualmente para colher uma região mais forte, resiliente e protagonista no cenário internacional.
Como os interessados podem participar do Fórum e acompanhar as discussões sobre o futuro da nossa região?
As inscrições para o Fórum são gratuitas e podem ser realizadas diretamente no site oficial do APL Marítimo do Rio Grande do Sul, onde também disponibilizamos a programação completa e a lista de palestrantes. Para garantir que o conhecimento alcance a todos, teremos a transmissão ao vivo de todos os painéis pelo nosso canal no YouTube, permitindo que o público acompanhe os debates de qualquer lugar do mundo.
Além disso, convidamos todos a seguirem nossas redes sociais no Instagram e LinkedIn para conferir os bastidores, novidades e, posteriormente, os principais insights do evento. O Fórum é um espaço aberto a estudantes, profissionais, gestores e a qualquer cidadão interessado em entender como o mar pode ser o motor do nosso desenvolvimento. Fica aqui o convite: participem e vamos juntos construir essa economia azul.