Editorial ONIP – Setembro 2026

Agosto terminou com uma notícia especialmente relevante para o setor de óleo e gás brasileiro: a identificação de indícios de hidrocarbonetos na costa do Amapá, na região Norte do Brasil, na Margem Equatorial brasileira. Ainda é cedo para dimensionar o alcance da descoberta, mas o anúncio reforça a importância das novas fronteiras exploratórias e recoloca em perspectiva as oportunidades que poderão surgir para o país e para a indústria nacional a partir de um novo ciclo de investimentos.

É justamente nesse contexto que ganha ainda mais importância a discussão sobre como transformar os investimentos do setor em desenvolvimento industrial, inovação, geração de empregos e fortalecimento da cadeia brasileira de fornecedores. Esse foi um dos temas que mobilizaram a ONIP ao longo do mês.

Em Brasília, participamos de reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) dedicada à discussão do conteúdo local no setor de óleo e gás como instrumento de política industrial. O debate está diretamente relacionado a uma agenda que a ONIP vem defendendo, voltada à criação de mecanismos que contribuam efetivamente para aumentar a competitividade da indústria brasileira e sua participação nos investimentos realizados no país.

Durante a NavalShore 2026, realizada no Rio de Janeiro, participamos do painel de lançamento da 7ª edição do Panorama Naval, elaborado pela Firjan. O momento atual exige que se olhe para toda a cadeia produtiva do setor, uma vez que grande parte do valor agregado de uma embarcação está nos equipamentos, sistemas, engenharia, tecnologia e serviços que a compõem.

Também estivemos em Macapá, participando do evento “Conexão Amapá 2026”, aproximando a ONIP das discussões sobre o desenvolvimento do estado justamente em um momento em que a Margem Equatorial ganha crescente relevância na agenda energética nacional.

Nesta edição, trazemos ainda uma entrevista exclusiva com o professor Allan Kardec Duailibe Barros Filho, presidente da Gasmar, Companhia Maranhense de Gás e ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que aborda o fracking, tema que merece voltar ao debate energético brasileiro. A conversa ajuda a compreender as possibilidades, os desafios e as controvérsias relacionadas à exploração de recursos não convencionais e contribui para uma discussão que precisa ser feita com informação, conhecimento técnico e atenção às experiências internacionais.

As agendas de agosto, embora distintas, convergem para as oportunidades que se apresentam ao setor de óleo e gás para fortalecer a capacidade produtiva e tecnológica brasileira. Novas fronteiras exploratórias, indústria naval, conteúdo local, inovação e novas possibilidades de produção de energia fazem parte dessa discussão.

Boa leitura!

Marta Franco Lahtermaher
Diretora Geral
Organização Nacional da Indústria do Petróleo – ONIP