Editorial ONIP – Janeiro 2025

O cenário global de energia em 2026 está sendo redesenhado por movimentos geopolíticos de grande impacto. A inserção da crise venezuelana em estratégias geopolíticas mais amplas, que incluem ações de atores internacionais, tem o potencial de alterar de forma duradoura a dinâmica de oferta e preços do petróleo no mundo. Observadores do setor já apontam que mudanças na política energética e de investimentos em Caracas podem reposicionar um dos países com as maiores reservas de petróleo do planeta no tabuleiro global, com implicações para a Opep, para fluxos comerciais e para decisões de investimento em toda a cadeia de valor.

Para o Brasil, essa confluência de fatores geopolíticos e econômicos reforça a necessidade de uma estratégia nacional que combine capacidade produtiva, competitividade industrial e visão de longo prazo. Em meio a um ambiente internacional marcado por incertezas, a indústria brasileira apresentou resultados expressivos em 2025: as exportações de petróleo totalizaram US$ 44,67 bilhões e, pelo segundo ano consecutivo, lideraram a pauta de exportações do país, superando produtos historicamente relevantes como a soja. Esse resultado evidencia a competitividade do setor e sua importância para a geração de divisas e o equilíbrio das contas externas brasileiras.

No plano doméstico, a indústria de petróleo e gás continua sendo um vetor importante de investimentos produtivos, geração de empregos qualificados e desenvolvimento tecnológico. A rede de fornecedores de bens e serviços associados ao setor representa uma base industrial de alta complexidade, cuja competitividade pode se traduzir em maior participação em mercados globais e em oportunidades emergentes.

É nesse ambiente que a ONIP reforça seu compromisso com a indústria nacional, buscando maior organização do mercado, instrumentos que favoreçam transparência e credibilidade entre fornecedores e contratantes, e diálogo contínuo com agentes públicos e privados. Nossa atuação visa a ampliar a competitividade dos fornecedores brasileiros, apoiando sua inserção em oportunidades estratégicas e contribuindo para um ambiente regulatório estável e previsível.

Na primeira edição de 2026 da nossa newsletter mensal, reunimos conteúdos que ajudam a compreender o momento estratégico vivido pela indústria de petróleo e gás.

A entrevista com o Presidente do Conselho da ONIP, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, oferece uma visão qualificada sobre a relevância econômica do setor, seu papel estratégico e as prioridades institucionais da Organização.

Outras notícias mostram que os investimentos em exploração no país podem chegar a US$ 1,2 bilhão entre 2026 e 2033 e que a ANP atualizou as regras para revisão do seguro garantia no descomissionamento. Dois assuntos da maior importância para a ONIP e seus associados.

Convidamos, também, nossos leitores a acompanhar a agenda do setor, com os principais eventos no Brasil e no exterior, permanentemente atualizada e disponível no site da ONIP, como parte da nossa contribuição para mantê-los informados sobre oportunidades de diálogo, networking e posicionamento estratégico ao longo de 2026.

Boa leitura.

Marta Franco Lahtermaher
Diretora Geral
Organização Nacional da Indústria do Petróleo – ONIP