Entrevista ONIP – Rodrigo Santiago, presidente do Conselho de Relações Internacionais Firjan

Internacionalização é caminho para aumentar a competitividade”

A internacionalização de empresas tem um potencial transformador na cadeia produtiva e de fornecedores, afirma Rodrigo Santiago, presidente do Conselho de Relações Internacionais Firjan. “Uma vez que as empresas estão presentes neste cenário de competição global, com alta demanda de competitividade, cria-se um benchmarking com base nas principais práticas internacionais como referência, incrementando o ímpeto para inovação, pesquisa e novas tecnologias para a maior eficiência produtiva e logística”, destaca, em entrevista exclusiva para o site da ONIP.

Nela, Rodrigo Santigo fala ainda sobre os desafios do processo de internacionalização e a importância da presença brasileira em eventos internacionais.

“A participação em feiras internacionais, visitas técnicas, rodadas de negócios e outras ações no exterior permite que o empresário tenha contato com novas tecnologias, tendências de mercado e gerar novos negócios. Tais fatores tem um potencial gerador para uma ampliação de negócios mais sustentável e competitiva”, observa.

De que forma a internacionalização das empresas brasileiras contribui para o aumento da competitividade frente às grandes companhias globais?

Em um contexto de cadeias produtivas cada vez mais competitivas e complexas, a internacionalização se apresenta como um caminho claro para o incremento da competitividade das empresas brasileiras. Um ponto a ser ressaltado é a diversificação de parceiros comerciais, permitindo que as empresas acessem novos mercados e se conectem com fornecedores cada vez mais competitivos, possibilitando maior integração e redução dos custos produtivos.

Destaca-se também o papel da ampliação da rede de acordos internacionais brasileira, como os acordos com União Europeia e EFTA, que contribuem para facilitação e do acesso mais competitivo das empresas aos mercados estrangeiros.

Como as empresas brasileiras de petróleo e gás podem utilizar a internacionalização como instrumento para se reposicionar estrategicamente no mercado global?  Existem desafios regulatórios e operacionais enfrentados nesse processo? Quais?

Segundo a última edição do Diagnóstico do Comércio Exterior do Estado do Rio da Firjan, 64% dos empresários fluminenses tem posicionamento favorável para uma maior abertura comercial. Segundo estudo do MDIC, estima-se que somente o Acordo com a União Europeia possa representar um crescimento de 3% nas exportações brasileiras até 2044 e um impacto positivo no PIB de R$ 37 bilhões. No entanto, ressalta-se a o desafio para o estabelecimento de um processo adequado para a justa concorrência a melhores práticas regulatórias.

Atualmente, observa-se um crescimento das barreiras ao comércio internacional, como a política tarifária implementada pelo Governo dos EUA e barreiras técnicas como o CBAM (Mecanismos de Controle de Carbono na Fronteira da União Europeia). Este cenário somando-se também as instabilidades geopolíticas atuais, representa um aumento de insegurança no ambiente de negócios, além de incremento em custos logísticos como fretes, seguro e armazenagem.

A presença em mercados internacionais favorece a absorção e o desenvolvimento de novas tecnologias? De que maneira esse conhecimento pode ser revertido em inovação e ganhos de eficiência no mercado brasileiro?

A internacionalização de empresas tem um potencial transformador na cadeia produtiva e de fornecedores. Uma vez que as empresas estão presentes neste cenário de competição global, com alta demanda de competitividade, cria-se um benchmarking com base nas principais práticas internacionais como referência, incrementando o ímpeto para inovação, pesquisa e novas tecnologias para a maior eficiência produtiva e logística.  Acrescenta-se também o potencial transbordamento para os demais atores na cadeia produtiva.

Qual é a importância da participação de empresas e profissionais brasileiros em eventos internacionais?

Os diálogos de negócios internacionais são parte da atuação da Firjan. A participação em feiras internacionais, visitas técnicas, rodadas de negócios e outras ações no exterior permite que o empresário tenha contato com novas tecnologias, tendências de mercado e gerar novos negócios. Tais fatores tem um potencial gerador para uma ampliação de negócios mais sustentável e competitiva.

Em que medida a internacionalização das empresas brasileiras do setor de petróleo e gás pode representar um vetor de diversificação das exportações nacionais e de geração de divisas? Quais políticas públicas seriam necessárias para potencializar esse impacto na balança comercial brasileira?

O mercado de Óleo e Gás é primordial para a balança comercial brasileira e principalmente fluminense. Segundo o Boletim Rio Exporta da Firjan, em 2025, as exportações da indústria da Petróleo e Gás representaram cerca de US$ 38 bilhões ou 79% do total da nossa pauta exportadora. Com base na última edição do Diagnóstico do Comércio Exterior do Estado do Rio da Firjan, 80% dos empresários respondentes identificaram entraves nas suas operações de exportação. Neste ponto, destaca-se os impactos da burocracia tributária e alfandegária, além de custos logísticos como o de frete,

Dessa forma, percebe-se a importância da Reforma Tributária e sua regulamentação da forma que garanta o ressarcimento efetivo de créditos tributários nas exportações, além da manutenção de Regimes Aduaneiros Especiais para a manutenção da competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.