ONIP participa de Fórum Internacional de Descomissionamento

“É importante que as ações visando a eliminação de barreiras regulatórias e tributárias, em todo o país, estejam alinhadas de maneira combinada”, observou a diretora-geral da ONIP, Marta Lahtermaher.

A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) participou do Fórum Internacional de Descomissionamento, realizado nos dias 25 e 26 de março, em Vitória, no Espírito Santo. O evento reuniu executivos da Petrobras, autoridades, especialistas e empresários para discutir oportunidades ligadas à desativação e à reciclagem de plataformas de petróleo marítimas no fim da vida útil.

“É importante que as ações visando a eliminação de barreiras regulatórias e tributárias, em todo o país, estejam alinhadas de maneira combinada. O Brasil tem uma costa extensa, com infraestrutura que pode ser adaptada para atender à demanda de descomissionamento de plataformas e embarcações brasileiras e estrangeiras”, observou a diretora-geral da ONIP, Marta Lahtermaher. “O Espírito Santo é um estado bastante adiantado em termos de descomissionamento e pode servir como modelo e incentivo para os demais estados brasileiros”, acrescentou.

A executiva participou de painel estratégico com o tema “Governança e Regulação”, ao lado de representantes da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Marinha do Brasil.

Durante a abertura do fórum, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que, no campo do descomissionamento, a estatal prevê cerca de US$ 9,7 bilhões em investimentos no Brasil até 2030, abrindo uma nova frente de oportunidades para a cadeia produtiva, com demandas em serviços industriais, logística e reaproveitamento de materiais.

O representante do governo do Reino Unido, Shozey Jafferi, apontou o descomissionamento como uma etapa estratégica da transição energética: “Muitos veem o descomissionamento como o fim de um ciclo no petróleo e gás, mas eu o enxergo como um ponto de partida”, afirmou.

Callum Falconer, diretor de operações da Decom Mission, compartilhou a experiência das empresas do Mar do Norte, referências globais no segmento: “O descomissionamento é uma indústria global e uma responsabilidade ambiental”, afirmou.

Encerrando a programação do primeiro dia, o professor e coordenador do Centro de Estudos para Sistemas Sustentáveis da UFF, Newton Narciso Pereira, analisou o potencial do Brasil no mercado global de descomissionamento e os desafios para estruturar essa cadeia no país.

“O Brasil já é o terceiro maior mercado de descomissionamento no mundo, com uma demanda crescente por serviços ao longo de todo o ciclo, desde a retirada até a reciclagem. É uma atividade de longo prazo, que exige planejamento, infraestrutura e uma visão integrada da cadeia. Quem estiver preparado para oferecer soluções completas terá um papel estratégico nesse mercado”, destacou.

O segundo dia do evento seguiu com agenda voltada à qualificação técnica e ao ambiente de negócios. A programação incluiu um masterclass sobre tendências globais do setor e painéis estratégicos sobre governança e regulação, contratos, tributação e compliance, além da formação de competências para o descomissionamento.